terça-feira, 3 de março de 2015

Militar afirma que EI serviu corpo de filho à própria mãe

Segundo britânico que luta contra os extremistas, restos mortais do garoto sequestrado foram cozidos e dados à mulher como "carne comum"

da Redação
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Um militar britânico que aderiu à guerra contra o grupo terrorista Estado Islâmico contou ao Jornal "The Sun" que membros do movimento extremistas serviram os restos mortais de um jovem assassinado por eles à própria mãe.

De acordo com o depoimento de Yasir Abdulla, de 36 anos, que largou a mulher e os quatro filhos no interior da Inglaterra para lutar contra os extremistas, o jovem teria sido capturado e mantido preso na cidade de Mosul, no Iraque. Sua mãe então iniciou uma jornada em busca do filho. Ao pedir que os militantes a deixassem ver o filho, eles primeiro ofereceram uma refeição, com a justificativa de que ela precisava se alimentar e descansar após a longa jornada.

"Eles levaram até ela xícaras de chá e um prato com carne, arroz e uma sopa", disse Abdulla ao "The Sun". O militar reportou que, após comer, a mãe pediu para se encontrar com o filho. Foi então que os extremistas começaram a rir e disseram: "Você acabou de comê-lo".

Não há informações sobre o que teria ocorrido com a mãe após o episódio, mas Abdullah ressaltou que o grupo Estado Islâmico "é muito bom em assustar as pessoas"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ignorância ou Indiferença?


Elwood McQuaid

Melhor não seguir esses caminhos

O professor entrou na sala de aula sentindo-se um pouco angustiado por mais um relato deprimente sobre como os americanos não estavam enfrentando como deveriam os fatos da vida econômica, política, social e educacional.
A impressão que ele tinha da situação poderia ser resumida em duas palavras: ignorância e indiferença. Então, ele desafiou seus alunos, perguntando-lhes o que achavam que poderia ser feito para melhorar aquelas condições. Um deles respondeu rapidamente: “Não sei e não quero saber”.
A história, logicamente, é apócrifa. Há mais ou menos uma década ela era contada como piada a americanos que não tolerariam ser acusados de ignorância ou de indiferença. Infelizmente, aquilo foi naquela época; e isto é agora. E, embora eu pudesse citar uma porção de ilustrações, vou me restringir a apenas algumas poucas que terão conseqüências potencialmente devastadoras para todos nós, a menos que sejamos chacoalhados de volta ao mundo real com seus problemas reais.
Em setembro de 2010, um vídeo foi contrabandeado do Paquistão. Ele documentava o apedrejamento público até à morte de uma mulher muçulmana pelos membros do Taliban. O crime dela foi caminhar junto com um homem que, presumivelmente, não era seu marido. Sua morte foi excruciantemente prolongada, uma vez que, um a um, seus executores administravam-lhe a “justiça” sob a lei islâmica (sharia), a qual interpretam como sacrossanta à sua religião. Esta é a mesma mentalidade que justifica o assassinato de cristãos convertidos do islamismo [...] e que realiza “assassinatos pela honra” no Ocidente, bem como nos países muçulmanos.
A periódica chacina de cristãos na Nigéria e em outras nações africanas passa quase que despercebida, fazendo-nos imaginar: por que tais atrocidades estão sendo ignoradas?
A periódica chacina de cristãos na Nigéria e em outras nações africanas passa quase que despercebida, fazendo-nos imaginar: por que tais atrocidades estão sendo ignoradas? Para piorar as coisas, a lei dasharia, que defende tal brutalidade, está sendo promovida em países não-muçulmanos como uma alternativa legal aceitável ou como suplementar para imigrantes muçulmanos.

Desventurada ignorância

Parece que a fórmula “a ignorância é legal” está sendo utilizada como um mecanismo de escape conveniente pelas pessoas que desejam evitar os fatos desagradáveis da vida. Na realidade, entretanto, a ignorância nunca é uma solução. Ela apenas adia os tratamentos do problema até que as horríveis conseqüências assumam o comando das coisas e tornem o desastre iminente. Alegar ignorância nunca é uma saída. Se você precisa de uma ilustração prática, tente falar a um policial que ele não deveria multá-lo por dirigir em alta velocidade porque você ignorava o limite de velocidade.
Biblicamente, os avisos são claros e sérios. Abordando a questão daqueles que sofrem e dos que são perseguidos, Provérbios 24 diz:
Livra os que estão sendo levados para a morte e salva os que cambaleiam indo para serem mortos. Se disseres: Não o soubemos, não o perceberá aquele que pesa os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma?” (vv.11-12).
Quantas vezes as pessoas precisam ver o óbvio antes que dêem uma tépida resposta que seja? Ignorância calculada e autoimposta parece estar na moda, tanto dentro quanto fora da comunidade cristã.

Indiferença imobilizadora

A apatia inerente à impotência moral e mental autoinduzida tem um lado ainda mais sério: Conhecer os fatos – consentir com a legitimidade da questão – e depois escolher ignorá-los é ainda mais pernicioso. Mesmo assim, testemunhamos essa atitude repetidas vezes em alguns círculos cristãos evangélicos, especialmente na mistificadora recusa de ensinar o conselho completo de Deus como nos foi dado em Sua Palavra. É surpreendente que alguns dos nossos líderes digam, com efeito: “Embora creiamos nos aspectos proféticos da revelação das Escrituras, evitamos ensinar sobre os eventos do fim e buscamos uma abordagem mais adequada e relacionada com a vida”.
Parece que a fórmula “a ignorância é legal” está sendo utilizada como um mecanismo de escape pelas pessoas que desejam evitar os fatos desagradáveis da vida.
Dado o fato de que o mundo está caindo aos pedaços ao nosso redor e que a única fonte confiável da verdade relativamente ao que está acontecendo, onde estamos indo, e à nossa esperança para o futuro está na Palavra de Deus, a indiferença à verdade da profecia é uma ofensa espiritualmente condenável. Não temos o direito de extirpar importantes partes da revelação divina porque preferimos algo mais otimista e mais palatável. Este é um dos erros mais egrégios da Teologia da Substituição: Ela suprime porções indispensáveis das Escrituras ao declarar que Israel está nacionalmente morto, em favor de uma fórmula sobreposta que declara que a Igreja é o Israel espiritual.
Os americanos estão agora se perguntando sobriamente se existe um futuro para [seu] país ou se ele se transformará em algo repressivo e irreconhecível. Sem o mapa da Bíblia para o futuro, existe um vazio. Com a Bíblia, esse vazio é preenchido pelas promessas de Deus que vão se desenrolando visivelmente. Ser indiferente em comunicar tais verdades imutáveis não é uma opção.

O âmago da questão

O que coloca o cristianismo em separado, como uma fé de esperança sem precedentes, pela qual os cristãos, há mais de 2.000 anos, têm estado dispostos a dar a sua vida? E, por que seus inimigos tentam incansavelmente exterminar o povo que não lhes faz nenhum mal? Uma resposta é que a nossa fé é incomparável. Nenhuma quantidade de inveja ou de animosidade pode destruir nem diminuir seu apelo e atração às almas, cujo coração está faminto e cansado do mundo. Além disso, nenhuma ameaça de pena de morte, ou nenhum esquadrão de ataque é necessário para manter os crentes em Jesus dentro do aprisco.
Considere o ministério de Jesus à mulher que foi pega em adultério, relatado em João 8. Os zelosos fariseus e escribas condenaram-na e exigiram que ela fosse apedrejada. Mas Jesus os dispersou, dizendo que, se houvesse um dentre eles que fosse completamente limpo de pecados, este poderia atirar-lhe a primeira pedra.
Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (vv.9-11).
Não houve naquele dia um círculo de carrascos furiosos apedrejando a pobre mulher até à morte. Diante de Jesus, ela encontrou graça e misericórdia, com uma admoestação para ser pura.
Quando nos lembramos da ressurreição de nosso Senhor, deveríamos também nos recordar que foi Maria Madalena, a mulher que anteriormente estivera possessa de demônios, e que fora liberta de um passado de má reputação, que primeiro se encontrou com o Salvador ressurreto do lado de fora do sepulcro aberto. Sim, existe mesmo uma diferença entre o cristianismo e todas as outras crenças. E não podemos ser ignorantes ou estar indiferentes a essa diferença, porque é uma diferença que transforma vidas.(Elwood McQuaid – Israel My Glory)

Teologia da Substituição x Dispensacionalismo


Richard D. Emmons
O Dispensacionalismo* e a Teologia da Substituição* não são compatíveis. Atualmente, muitos cristãos defendem o ponto de vista da Teologia da Substituição, que tira a ênfase das profecias e da Escatologia* em favor da promoção da harmonia teológica e da solução de problemas pessoais, nacionais e globais observados. Embora amemos nossos irmãos em Cristo, devemos também seguir e sustentar a verdade e a doutrina correta.
É extremamente importante entender por que a Teologia da Substituição é inadequada e por que o Dispensacionalismo fornece o ponto de vista correto. O Dispensacionalismo oferece o melhor entendimento da Palavra de Deus e de Seu plano para Sua criação porque apresenta uma Hermenêutica* superior, uma harmonização das Escrituras superior e uma historiografia* superior.

O Dispensacionalismo Contrastado com a Teologia Aliancista

Existem três formas principais de Teologia da Substituição: Amilenismo* Aliancista, Pós-Milenismo* Aliancista, e Pré-Milenismo* Aliancista (também chamado Histórico). Todas essas três formas são geralmente construídas com base na Teologia Aliancista*, que vê a Igreja como substituta de Israel no plano global de Deus para a história do mundo. Os judeus chamam essa doutrina de Supersessionismo.
A Teologia Aliancista é fundamentada na interpretação alegórica* das Escrituras. Ela vê a história humana como o relacionamento redentivo de Deus com a humanidade baseado em duas (ou três) alianças teológicas principais, e enfatiza a “continuidade” entre Israel e a Igreja – sendo que continuidade geralmente significa que a Igreja substitui Israel.
As alianças são obras (Gn 2), graça (Gn 3) e redenção. Todas estas estão implícitas nas Escrituras, e não explícitas. A aliança da graça governa a história humana desde a Queda até a Consumação como a estrutura unificadora mais importante do sistema, tornando a redenção da humanidade o tema máximo e o fator unificador da relação de Deus com a humanidade.
Todas as três formas minimizam o futuro de Israel. O Amilenismo prega que não há nenhum Reino terreno futuro, nem judeu nem outro. O Pós-Milenismo vê a Igreja como substituta de Israel, encarregada de trazer o Reino para esta terra para que Jesus possa voltar e tomar posse dele. O Pré-Milenismo Aliancista ensina que a Igreja é o Reino prometido, que foi inaugurado por Jesus durante Seu ministério na terra, sustentado em meio à Tribulação, arrebatado e estabelecido como alguma forma de Reino terreno que admitirá, em seu último estágio, muitos do povo judeu.
O Dispensacionalismo é construído com base na interpretação literal sólida e consistente das Escrituras.
Em contraste, o Dispensacionalismo é construído com base na interpretação literal* sólida e consistente das Escrituras. Ele vê o mundo como um lar administrado por Deus para Sua própria glória, através de uma série de dispensações* progressivas, mas distintas, enfatizando a descontinuidadeentre Israel e a Igreja. O tema unificador é o plano de Deus para exemplificar Seu amor e para glorificar Seu nome através de Sua criação, quando Ele responde ao desafio de Lúcifer apresentado contra Sua santidade (singularidade): “Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14).
Os elementos estruturais do Dispensacionalismo são as dispensações, as quais o teólogo Charles Ryrie definiu melhor como economias [administrações, mordomias] distinguíveis na realização do propósito de Deus. A redenção do homem é apenas uma maneira pela qual Deus manifesta Seu amor e glorifica Seu nome. Seu programa de santificação – administrado através de relacionamentos operacionais progressivos e distinguíveis – permite que os crentes em cada dispensação glorifiquem a Deus ao responderem à Sua revelação em obediência amorosa.
Além disso, o Dispensacionalismo enfatiza a descontinuidade entre Israel e a Igreja. Ele afirma que Deus tinha um plano o tempo todo (embora estivesse oculto no Antigo Testamento) para resguardar uma multidão de gentios para Sua glória. O apóstolo Paulo escreveu que Deus queria dar “a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (Rm 9.23-24). A seguir, Paulo cita o Antigo Testamento:
Assim como também diz em Oséias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada; e no lugar em que se lhes disse: Vós não sois meu povo, ali mesmo serão chamados filhos do Deus vivo” (vv. 25-26).
Usando o termo grego oikonomia exatamente como ele é usado no Dispensacionalismo, Paulo declarou o propósito de seu ministério:
E manifestar qual seja a dispensação [oikonomia; administração] do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as cousas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3.9-11).
O plano eterno de Deus, desvendado logo depois da rejeição de Israel a seu Messias, não substitui Israel pela Igreja, mas acrescenta a Igreja por um período.
Assim, o Dispensacionalismo vê a história humana como administrações distintas e progressivas, reveladas divinamente (muito semelhantes a estágios no desenvolvimento da carreira de uma pessoa), por meio das quais as pessoas possam glorificar a Deus, respondendo a Seu amor com obediência fiel. A salvação é pela graça através da fé em cada estágio, mas a administração da santificação muda.

O Dispensacionalismo é Superior à Teologia Aliancista

Embora todos os sistemas teológicos sejam feitos pelo homem e, portanto, sejam limitados, o Dispensacionalismo é preferido pelo menos pelas razões abaixo:
Uma Hermenêutica Superior
Alguns sugerem falsamente que a distinção entre interpretação literal e interpretação alegórica das Escrituras já não é mais uma questão a ser debatida, porque todos os teólogos conservadores evangélicos têm o propósito de interpretá-las literalmente. A interpretação alegórica é o método de interpretar um texto literário observando seu sentido literal como veículo para um segundo significado, mais “espiritual”. Todo mundo reconhece as figuras de linguagem; mas, sempre que alguém toma figurativamente qualquer passagem das Escrituras que os autores divinos e humanos escreveram com a intenção de que fosse tomada literalmente, ocorre a interpretação alegórica.
Embora nenhum intérprete seja infalível, os teólogos da Substituição são muito mais propensos a interpretar alegoricamente.
Embora nenhum intérprete seja infalível, os teólogos da Substituição são muito mais propensos a interpretar alegoricamente. A integridade do sistema teológico deles requer que seja assim. Os dispensacionalistas não são sempre consistentes, mas buscam a interpretação literal de todas as passagens. Exemplos óbvios são as palavras o lobo e o cordeiro e o leão e o boi em Isaías 65.25 e a passagem sobre a ressurreição em Apocalipse 20.4-6.
Um segundo aspecto da Hermenêutica superior do Dispensacionalismo é a relação entre Teologia Bíblica* e Teologia Sistemática*. Embora a maioria concorde com Ryrie de que “A Teologia Bíblica seja fundamental para a Teologia Sistemática”[1], o Dispensacionalismo e a Teologia da Substituição usam procedimentos diferentes. A Teologia da Substituição desenvolve primeiramente a Teologia Bíblica do Novo Testamento e depois prossegue para estabelecer a Teologia Bíblica do Antigo Testamento, à luz do Novo Testamento.
O teólogo Michael Stallard argumentou corretamente que essa metodologia faz com que o Antigo Testamento seja interpretado através das lentes do Novo Testamento, o que resulta em três problemas: (1) a possibilidade de se minimizarem as experiências do Antigo Testamento; (2) a subordinação da interpretação gramatical-histórica às conclusões da Teologia Bíblica do Novo Testamento; e (3) o fracasso de incorporar a Teologia Bíblica correta do Antigo Testamento na Teologia Sistemática daquele que está interpretando.[2]
Observando a natureza progressiva da revelação, os dispensacionalistas têm o compromisso de desenvolver primeiramente sua Teologia Bíblica do Antigo Testamento pelas qualidades do próprio Antigo Testamento. Tal leitura entende a natureza eterna da escolha de Israel por Deus, Suas alianças com o Seu povo e Suas promessas para o Seu povo. A Igreja é, então, entendida como um programa previamente planejado e temporário, durante o tempo em “que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados” (Rm 11.25-27).
A escolha que uma pessoa faz de sua Hermenêutica tem ramificações que alcançam muito longe. Interpretar uma passagem alegoricamente abre caminho para que se interpretem outras passagens da mesma forma. Considerar Deus por Sua Palavra, mesmo quando não é algo confortável, é preferível a reinterpretar o que Ele disse.

Uma Harmonização Superior

O Dispensacionalismo também proporciona uma superior harmonização das Escrituras.
A Teologia da Substituição debate-se com a questão de como utilizar muitas das passagens do Antigo Testamento.
A Teologia da Substituição debate-se com a questão de como utilizar muitas das passagens do Antigo Testamento. Ter uma única aliança da graça governando a Bíblia inteira cria tensão com os aspectos claramente culturais e cerimoniais da revelação do Antigo Testamento. A Lei Mosaica está dividida em categorias morais, cerimoniais e civis. A dificuldade em lidar com as leis referentes à alimentação e à lepra e sua aplicação para nossos dias, por exemplo, tende a fazer com que essas passagens sejam ignoradas. O Dispensacionalismo, por outro lado, com sua ênfase nos relacionamentos (dispensações) progressivos e santificadores, soluciona esse problema porque interpreta tais passagens no lugar adequado.
Embora algumas passagens sejam admitidamente difíceis para todos (Gn 38, por exemplo), a maior parte das passagens pode ser interpretada com base no que elas pretendiam ensinar ou em refletir o processo de glorificação de nosso Deus amoroso através da obediência dos crentes à revelação que lhes foi dada. Princípios eternos da verdade divina podem então ser extraídos do que Deus viu em Seu povo ou esperou de Seu povo, sem que danos sejam causados à natureza literal do texto. Levítico 14 mostrou em detalhes os cuidados de Deus com relação à “pureza” de Seu povo. Em vez de aderirem às leis meticulosas e freqüentemente físicas da santidade na administração mosaica, os crentes hoje deveriam exercitar os mesmos cuidados com a pureza através de um relacionamento mais adulto com o Espírito Santo que neles habita (Gl 4.1-7).

Uma Historiografia Superior

O Dispensacionalismo proporciona uma historiografia superior. A metanarrativa* do Dispensacionalismo é superior porque reflete mais precisamente a revelação bíblica do plano e da intenção de Deus. A promessa do profeta Jeremias de uma Nova Aliança contrasta claramente a Nova com a Velha, que foi mediada por Moisés. Essa Nova Aliança finalmente fará com que a Palavra de Deus seja escrita nos corações do Seu povo Israel, que havia causado tanto pesar ao Senhor.
Essa promessa não significa nada se for cumprida em um povo totalmente diferente; Israel seria desprovido de esperança e a graça de Deus teria diminuído. Os profetas Isaías e Ezequiel entenderam claramente a promessa de um Reino terreno no qual a glória de Deus encherá a terra e Seu Povo Escolhido O glorificará espontaneamente. Nenhuma dessas coisas aconteceu na Primeira Vinda do Messias.
O ensinamento da Teologia da Substituição de que há apenas um reino espiritual e/ou que o povo judeu está apenas minimamente envolvido não reflete adequadamente a historiografia da revelação de Deus. Jesus disse que irá retornar fisicamente (Mt 24.29-31) e assumirá Seu trono terreno (Mt 25.31-46), estando esses dois ensinamentos diretamente ligados à profecia de Daniel (Mt 24.15) e sendo judaicos por natureza. Se Jesus sabia que o Reino Judeu seria substituído, será que Ele iria enganar deliberadamente Seus discípulos judeus não lhes contando sobre isso, nem meros dois dias antes de Sua morte?
Entender que o Tempo da Angústia de Jacó ainda é futuro – e que será seguido pelo retorno visível do Messias para estabelecer Seu Reino Judeu, terreno, tendo Jerusalém como sua capital – é uma historiografia superior porque reflete melhor a revelação tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. João identificou com clareza o Reino de Jesus como o Milênio (1.000 anos), situado entre o julgamento da Besta (o Anticristo), do Falso Profeta (Ap 19.20) e do Dragão (Satanás; Ap 20.1-3,7-10), e entre duas ressurreições (vv. 4-6,11-15). Se a segunda ressurreição for física e literal, então a primeira ressurreição também deve ser.
A interpretação literal do Dispensacionalismo vê o relacionamento de Deus com Abraão fazendo um círculo completo, à medida que Jesus, o Segundo Adão e Filho de Davi, cumprir as alianças bíblicas no Reino Milenar* terreno do Messias. Depois de 1.000 anos, essa administração terrena será transferida para sua forma final e eterna nos novos céus e na nova terra. (Richard D. Emmons - Israel My Glory - Chamada.com.br)

Notas:

  1. Charles C. Ryrie, Biblical Theology of the New Testament [Teologia Bíblica do Novo Testamento] (Chicago: Moody Press, 1959), 12.
  2. Michael Stallard, “Literal Hermeneutics, Theological Method and the Essence of Dispensationalism” [Hermenêutica Literal, Método Teológico e a Essência do Dispensacionalismo], 1998, www.pre-trib.org/article-view.php?id=196.

*Glossário

Amilenismo Aliancista: Uma forma de Teologia Aliancista que crê que o reino espiritual da Igreja substitui o Reino Messiânico de Israel e que não haverá Reino Milenar.
Dispensação: Uma administração distinguível (relacionamento operacional) na realização do propósito de Deus (de Charles Ryrie em Dispensationalism[Dispensacionalismo]; uma mordomia.
Dispensacionalismo: Um sistema de teologia construído com base na interpretação literal e consistente das Escrituras. Vê o mundo como um lar administrado por Deus para Sua própria glória através de uma série de dispensações progressivas, mas distintas, enfatizando a descontinuidade de Israel e a Igreja (de Ryrie, em Dispensationalism).
Escatologia: A doutrina das coisas futuras. As profecias ainda não cumpridas entram nesta categoria.
Hermenêutica: A arte e a ciência de interpretar um texto literário; também entendida como a filosofia (ou o método) de interpretação de uma pessoa.
Historiografia: A apresentação narrativa ou a escrita da história baseada no exame que uma pessoa fez dos eventos e detalhes obtidos nas fontes.
Interpretação Alegórica: O método de interpretar um texto literário que dá ao texto um segundo significado, “mais espiritual”.
Interpretação Literal: O método de interpretar um texto literário que considera as palavras e as frases em seu significado normal, comum e costumeiro (a menos que o texto em si force a um entendimento figurado).
Metanarrativa: Princípios diretivos universais, sistemas de pensamento, histórias grandiosas que controlam e interpretam a realidade; a história completa, ou a figura completa.
Pré-Milenismo: A posição de que Cristo irá retornar antes da Era do Reino e estabelecerá Seu Reino Davídico, Messiânico.
Pré-Milenismo Aliancista (Histórico): Uma forma de Teologia Aliancista que crê que Jesus irá voltar em Sua glória para estabelecer a Igreja como Seu Reino sobre a Terra.
Pós-Milenismo Aliancista: Uma forma de Teologia Aliancista que crê que a Igreja constitui o reino físico de Jesus na Terra e que Ele retornará para governar na conclusão desse reino físico.
Reino Milenar: O Reino Messiânico de 1.000 anos, terreno, que Cristo estabelecerá e que estará sob Seu governo após os sete anos de incomparável tribulação na Terra. Para os pré-milenistas, esse período constitui a Era do Reino.
Teologia Aliancista: Um sistema de teologia construído com base na interpretação alegórica que vê a história humana como o relacionamento redentivo de Deus com a humanidade. É baseada naquilo que seus adeptos vêem como duas (ou três) alianças teológicas principais que enfatizam a continuidade entre Israel e a Igreja, à medida que a Igreja substitui Israel no programa de Deus (de Louis Berkhof emSystematic Theology [Teologia Sistemática]).
Teologia Bíblica: Uma correlação dos dados da revelação bíblica de um livro, ou seção, ou tema específico da Bíblia.
Teologia da Substituição: Vários sistemas de teologia, geralmente construídos sobre o fundamento da Teologia Aliancista. Vê a Igreja como substituta de Israel no plano global de Deus para a história do mundo.
Teologia Sistemática: Uma correlação de dados da revelação bíblica como um todo, em ordem, para apresentar sistematicamente a figura total da auto-revelação de Deus (de Charles Ryrie, em Basic Theology [Teologia Básica].